"Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."

Lewis Carroll






terça-feira, 7 de setembro de 2010

Liberté?

Dia da Independência do Brasil.
Mais confuso que falar dos processos que influenciaram a independência do país, é pensar/sentir/perceber a independência que ocorre dentro de cada um.
Por lei atingimos a maioridade aos 18 anos, ou seja, alcançamos a vida adulta civil. Assim a partir desta idade, como se fosse mágica, podemos beber, dirigir, freqüentar ambientes noturnos sem autorização, ir preso, adquirir o dever de votar, entre tantas outras coisas e, isso conseqüentemente nos torna mais "independentes". Mas como o Brasil, acredito que nada nem ninguém se tornam independentes de maneira instantânea e, muito menos se faz auto-suficiente por determinada liberdade na autonomia singular, é preciso conquistar espaço, mudar atitudes, arcar com as conseqüências e novas exigências. Obviamente tudo é gradual e as mágicas só acontecem nos livros infantis. Mas quando realmente a maioridade atinge nossa vida? Somos formados principalmente pelo meio: família, amigos, escola, comunidade. Sofremos constantes influências destes ambientes e pessoas e, como em cada campo da vida aprendemos de uma determinada forma em decorrência daquilo que absorvemos e vivenciamos o que torna o desenvolvimento humano totalmente particular. É possível observar adolescentes de 13 anos que ajudam nas tarefas domésticas, são dedicados com os estudos, preocupados, mesmo que de modo precipitado, com seu futuro, trabalho, família. Como também nota-se jovens adultos que simplesmente preocupam-se em resolver qual será a festa do fim de semana.
Penso que ao contrário de algumas teorias e normativas, não se pode estabelecer como numa linha do tempo que segue apenas números, o momento em que "pulamos" de fase, aliás, somente depois de passarmos por alguma fase é que podemos saber o que mudou e por que. Dosar é fundamental, mesmo que não tenhamos total controle sobre as pitadas que queremos carregar para a nossa vida e aquelas que queremos extinguir.
Há momentos que é preciso assumir uma postura mais adulta, ou melhor, mais madura desconsiderando o rótulo por si só, outros é possível despertar “aquela” criança. Estranho/engraçado/assustador/maravilhoso é ser jovem, sentir-se tão independente e dependente ao mesmo tempo, tão seguro e inseguro, tão maduro e infantil... Transitando no mesmo dia por várias esferas, porém, que aos poucos irão estabelecer a maioridade que vai muito além da data no RG.



2 comentários:

marcelino alves disse...

olá......pessoa!!! gostei muito desse texto, abril uns horizontes nessa minha cabeça tão alienada acomodada.

Bruna Pilatti disse...

Que bom! todos somos "acomodados" na verdade, o primeiro passo é perceber e, mudar!
bjos